segunda-feira, novembro 13, 2006

Edmond é puro David Mamet


Sábado, 28 - EDMOND

O estilo verborrágico seco e preciso do escritor de teatro e cinema David Mamet ganhou notoriedade a partir dos anos 80, quando ele próprio começou a dirigir seu material em filmes marcantes como As Coisas Mudam, Homicídio e Oleanna, até os recentes State and Main, O Assalto e Spartan, todos com a marca inconfundível dos roteiros exatos, sem excessos, de Mamet. Dessa vez, a direção ficou nas mãos de Stuart Gordon, diretor mais conhecido pelo cinema B de Re-Animator, From Beyond e o surpreendente Tratamento de Choque (King of the Ants, 2003), sua fita anterior a esse Edmond, peça teatral de Mamet de 1982, adaptada de forma bastante correta por Gordon, tanto que, como os melhores filmes de Mamet, tem curtíssima duração, apenas 82 minutos. E a trajetória de transformação radical que o personagem-título (William H. Macy, perfeito para o papel) sofrerá no filme é assombrosa justamente pela concisão, objetividade e economia didática com que é narrada.

O filme Edmond quer provar por A + B que o homem é produto do meio ambiente em que vive. Assim, vemos a tese de que um americano branco, rico, heterossexual, racista, homofóbico, arrogante e egoísta e o seu oposto extremo, um americano branco, loser, homossexual, apático, presidiário por assassinato e namorado de um negro (com quem divide a cela), podem ser mais próximos do que podemos imaginar. Julgamento moral relativizado, eles são apenas resultado das circunstâncias vividas. O filme inicia com Edmond abandonando a esposa num apartamento elegante e partindo para uma via crucis pela noite marginal de Nova York. Prostitutas, bares de strippers, garçonetes, traficantes, fanáticos religiosos e outros personagens irão cruzando seu caminho e transformando-o em outra pessoa.

Talvez o estilo David Mamet de roteiro já esteja meio datado, copiado à exaustão, mas nos anos 80 provocava um impacto violento sobre o espectador. Ainda assim, Edmond causou reações estranhas na platéia, desnorteada com o desdobramento das ações de Edmond, inicialmente uma figura detestável que, por vias muito tronchas, adquire algo de humano, sem pieguice. O formato do filme, um tanto televisivo (diálogos à frente da imagem, mas bem dirigido), sugere que deva ser lançado direto em DVD, com o apelo de um incrível elenco de famosos. Além de William H. Macy, temos participações mínimas de nomes como Joe Mantegna, Julia Stiles, Denise Richards, Dylan Walsh, Mena Suvari, Bai Ling e Rebbeca Pidgeon, esposa de David Mamet na real (e de Edmond, no filme).

2 comentários:

Osvaldo disse...

UFA!! Finalmente cheguei aqui pra comentar. EDMOND é um dos filmes recentes que eu mais quero assistir. Não só por ser do Gordon ou ter o dedo de Mamet, mas também pelo tema em si me agradar bastante e o elenco ser simplesmente fodástico!! Gd abraço.

Luiziana Fernandes disse...

Eu vi o filme, aqui foi lançado com o Título "Submundo"... O elenco é realmente muito bom, e Mena Suvari está altamente Mena Suvari! Só acho que na tentativa de fazer um diálogo que transmitisse a idéia de cumplicidade e intimidade do casal homossexual no final, aquele papo do final ficou muito louco e me fez dar uma "pescada" mas acordei muito assustada com a imagem do casal dormindo em "conchinha" rsrsrs. GOSTEI!!